O ASSALTO AO MERCADINHO DA ESQUINA
O assalto ao mercadinho da esquina - um monte de gente - começou lá pelas 19:58 de ontem; não terminou, ainda, às 04:26 de hoje.
Do nada o rapazinho de boné preto, o rapazinho sem boné, a menininha de cabelo loiro:
"Todo mundo queto seu bando de buceta!, vai fechando a porra desta merda, silêncio seus féladaputa!, eu pipoco todo mundo aqui, cadê o cacete do gerente, o que tá oiano zé buceta, que caraio!, merda, num fechô esta merda ainda, vô te plantá uma azeitona na cara, etc, etc, etc".
Um chute na bunda do rapaz que repunha produtos nas prateleiras.
"Fica queto aí zé buceta!".
Gaveta do caixa, escritório, cerveja gelada, pedaço de presunto, coca, suquinho da del valle, chocolate lacta, uma lasca de queijo mussarela, conversa, conversa, conversa.
Celular de todo mundo, carteira, pulseira, relógio, colar, brincos, anéis, bolsos pra fora, conversa...
"Tô sem paciência seus zé buceta, vai botano tudo em cima do caixa, a camisa, cusão, vai tirando a camisa, a calça, o tênis, todo mundo pelado, calcinha, cueca, tudo que tem seus buceta, tá oiano o quê ô bucetão!...".
Garrafa de vinho, azeitona, uma caninha, vodka, mais queijo, conversa de sacanagem, putaria, "ô gracinha!" "ô belezinha!", "ô quenga gostosa!", clima esquentando, o rapazinho sem boné beijando a loirinha, um calor desgraçado, o cu na mão, pelado, 10:00 horas da noite.
O rapazinho de boné preto cismou com a morena de peito grande encolhida atrás da prateleira de produtos de limpeza.
Foi a primeira que o rapazinho de boné preto comeu a bunda, enquanto o rapazinho sem boné chupava os peitos da loirinha, com a mão enfiada no meio das pernas da senhora de barriguinha redonda.
Cervejinha, uísque, mais vinho, mais azeitona, queijo, presunto, mais putaria, conversê de sacanagem, uns biscoitinhos...
"Seus zé buceta!".
Mais um rabo, desta vez da senhora de tatuagem no peito; não adiantou espernear, o rabo...
A loirinha, carinha de piranha, largou o rapazinho sem boné e agarrou a mocinha de peitinho empinado e começou a lamber a barriguinha da moça, que soluçava baixinho.
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Mais álcool, cigarrinho, mais uma pedrinha cada um, baseadinho, comida, pasta de dente, mais chocolate, desodorante...
"Seus zé buceta!".
04:26 horas da manhã do domingo o assalto ao mercadinho da esquina está em pleno andamento.
Metade do povo pelado já chupou ou pegou na bimba do rapazinho de boné preto e do rapazinho sem boné, e teve os peitos ou a pica chupados pela loirinha.
2 sacos de lixo cheios de roupas, mais outro com os nossos pertences, os bolsos cheios do dinheiro do mercadinho da esquina...
"Seus zé buceta!".
Sentado atrás da prateleira de cereais com o cu no chão - e na mão - fico olhando com o rabo do olho; a orgia vai bem.
O rapazinho de boné preto tá com a cara enfiada no meio das pernas da senhora gorda, fungando que só; a loirinha tá chupando os peitinhos da menina branquinha do caixa; o rapazinho sem boné tá se esfregando na moreninha do caixa.
O rapazinho de boné é incansável, acho que tomou umas duas caixas de viagra e veio pra noite comer todos os cus do mundo.
E haja cu, haja peito, haja buceta... haja comida, haja bebida, haja cigarro, haja maconha, haja crack!
Gente chorando baixinho, cagado, mijado, com fome... dormindo em pé.
O assalto ao mercadinho da esquina e às nossas vidas está em pleno andamento nesta manhã de domingo.
Nada a fazer!
Mais bebida, mas comida, mais encoxada, mais cu, mais "seus zé buceta!"
Às 04:50 o rapazinho de boné preto, chapado que só, grita:
"Pronto seus zé buceta!, tamo saindo, todo mundo queto...".
O rapazinho sem boné cortou o fio do telefone, o rapazinho de boné preto deu mais um beijo na boca da caixa branquinha, a loirinha olhou bem na minha cara, passou a mão na minha barba, deu um sorrisinho de vagabunda, virou as costas, abriram a porta, fecharam, trancaram por fora e...
E nós aqui dentro do mercadinho da esquina batendo na porta feito uns doidos às 05:00 horas da manhã do domingo, todo mundo pelado, peitos caídos, bundas flácidas, pintos murchos, vergonha, desespero, agonia, o orgulho...
Lá fora, nada... nem um pio, todo mundo dormindo, a cidade dormindo na segurança dos seus lares.
E nós aqui...
O difícil vai ser chegar em casa pelado e explicar pra patroa.
Tomei uma decisão:
Enquanto ninguém nos socorre, eu vou é tomar uma cervejinha pra acabar com a inhaca da noite.
Primeiro, porque ainda tô com o cu na mão!
Segundo, porque hoje é domingo; dia de tomar uma.
Terceiro, porque ninguém é de ferro.
Ô féladaputa de bando de zé buceta!
Do caralho!
TõeRoberto

Em homenagem a alguns amigos meus.
Imagem:barriguinha-google
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PENSANDO BEM...
Eu acho que você tá muito feia hoje!